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Notícia

Engrenagens de mercado: rumo ao cumprimento da lei

21/08/2017

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Enquanto a Lei de Proteção de Vegetação Nativa é implementada, muitos são os questionamentos para que as engrenagens de mercado caminhem lado a lado com as exigências legais e promovam uma mudança de visão de todas as cadeias. No evento O Código Florestal como caminho para o desenvolvimento sustentável do agro e do Brasil foram debatidos temas como financiamento, compromissos com os consumidores, bem como esclarecimentos de dúvidas dos produtores para cumprimento do Código.

Para Daniela Mariuzzo, coordenadora no The Sustainable Trade Initiative (IDH), as ações dos produtores com relação ao Código Florestal eram tomadas apenas quando havia algum problema. Entretanto, hoje, segundo ela, se eles não assumem uma atitude é porque não obtêm conhecimento. “Há 20 anos, negavam a existência do Código. Mas, com o tempo, houve um processo de entendimento e aceitação. Agora, precisamos deixar as opções mais estreitas e dar soluções completas a eles. Eu não escuto que não querem se regularizar, mas que desconhecem as exigências. É preciso haver parceria, apresentando pacotes prontos e práticos”, diz.

Nesta linha, não responsabilizar apenas o produtor pela falta de adesão às linhas de crédito como a de agricultura de baixo carbono é fundamental. Segundo Álvaro Schwerz Tosetto, gerente executivo do Banco do Brasil, nem sempre é falta de vontade por parte dele. “Enquanto agente financeiro, ao exigir determinados requisitos para que o produtor demonstre sua regularização do ponto de vista ambiental e fundiário, esbarramos em uma série de dificuldades. Há alguns anos trabalhamos com técnicos que auxiliam os produtores, mas isso vem diminuindo por uma questão de conjuntura, repleta de incertezas”, enfatiza.

Além disso, somada à necessidade de assistência técnica, disponibilidade e contratação de crédito, está presente a preocupação de grandes empresas com a percepção de seus públicos. Em qualquer setor da economia, a fidelização de compra está diretamente ligada à conduta da organização com seus consumidores, seja na gôndola do mercado ou no campo. “Nossos clientes sempre nos questionam como é que é gerida e quais são os cuidados que temos em nossa cadeia de suprimentos; querem saber de onde compramos a nossa soja, por exemplo”, comprova Maximiliano Slivnik, gerente comercial de grãos e sementes oleaginosas da Cargill.

Responsabilidade compartilhada

Pensando em alternativas que viabilizem o cumprimento do Código Florestal e o consequente atendimento das demandas do mercado, um novo comportamento na Cargill. “Começamos a perceber que temos um trabalho longo a ser feito em nossa cadeia e chegamos a um ponto que a própria empresa fez uma declaração na Organização das Nações Unidas sobre uma política de florestas. Assumimos o compromisso de termos uma cadeia livre de áreas desmatadas”, destaca Maximiliano.

Trata-se de um passo rumo ao futuro, que se bem executado, representará um avanço fantástico ao País e aos seus negócios. “Poderemos ser reconhecidos como aqueles que entregam produtos sustentáveis”, ressalta o gerente comercial.

Para tanto, ele apresenta a necessidade de haver sistemas que possam trazer informações sobre a cadeia, clientes e fornecedores. “Entendemos que todos os elos da cadeia devem participar mais claramente desta mudança [...] A abertura ao diálogo transparente e honesto com todos os stakeholders, onde eles podem dizer onde dói, é algo urgente”, conclui.

Encaminhamentos

Embora ainda existam gargalos, os envolvidos no processo de implementação da lei estão engajados na questão e sugerem soluções, entre elas uma política que estabeleça critérios de compra de caráter geral, como a solicitação do CAR ao produtor – que ainda não é feita porque prazos podem ser alterados -, e, também, seu uso de forma esmiuçada e não apenas protocolar. “Hoje, não temos a qualificação deste dado e usamos as informações da propriedade, assim como o georreferenciamento do talhão, somente para evitar financiamento em áreas com embargos e outras série de questões”, explica Álvaro.

Confira o vídeo deste e dos outros painéis do evento "O Código Florestal como caminho para o desenvolvimento sustentável do agro e do Brasil", clicando aqui.

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